Entre adaptação e agroecologia, jovem do Semiárido defende permanência no território em painel na COP17, na Mongólia

  • 29/08/2026
(Foto: Reprodução)
Painel “Drylands, Big Solutions: From the Frontlines of Adaptation to Agroecological Food Systems Transformation” no Pavilhão Basil da COP17 na Mongólia. Maristela Crispim/ Arquivo pessoal Enquanto a COP17 discute, em Ulaanbaatar, Mongólia, caminhos de adaptação para regiões secas e de transformação dos sistemas alimentares por meio da agroecologia, quem vive no Semiárido também leva para a conferência experiências construídas dentro dos próprios territórios. Entre os participantes de um dos debates está Sival da Silva Fiuza, de 23 anos, morador de uma comunidade rural tradicional localizada no Sertão do Pajeú, em Pernambuco. Ele representa, na COP17, a Rede de Juventudes da Plataforma Semiárido da América Latina, na qual atua como ponto focal de juventude dentro da secretaria executiva, e também é jovem multiplicador da agroecologia. 📱:Baixe o app do g1 para ver notícias de Petrolina e Região em tempo real e de graça O painel “Drylands, Big Solutions: From the Frontlines of Adaptation to Agroecological Food Systems Transformation” (“Terras secas, grandes soluções: da linha de frente da adaptação à transformação dos sistemas alimentares agroecológicos”) integra a programação do Pavilhão Brasil na COP17. A discussão reúne experiências relacionadas à adaptação e à agroecologia em regiões secas. É nesse espaço de debate que Sival leva a perspectiva de jovens que vivem no Semiárido. Segundo ele, uma das propostas da participação é mostrar experiências desenvolvidas nos territórios e dar visibilidade às vozes de quem vive nessas regiões. (A repórter Diana Silva viajou para o evento a convite do Instituto ClimaInfo) “A gente veio aqui para a COP com um propósito fundamental de mostrar as vozes de jovens que vivem em regiões semiáridas dentro da COP, porque muitas vezes a gente tem esse apagamento, a gente é invisibilizado”. A delegação da qual ele participa reúne cinco jovens do Brasil, El Salvador, Argentina e México. A ideia, segundo Sival, é compartilhar práticas desenvolvidas nas comunidades e apresentar ao debate internacional uma perspectiva baseada na permanência no território, na agroecologia e nos conhecimentos ancestrais. “Eu venho com uma perspectiva um pouco diferente, que é a de permanência no território, no que a gente vem produzindo através da agroecologia, através dos conhecimentos ancestrais e principalmente através do protagonismo juvenil.” Sival vive em uma região próxima ao município de Floresta, na área de confluência dos Sertões de Itaparica, Moxotó e Pajeú. Segundo ele, a comunidade está próxima de uma área que apresenta características de transição entre o Semiárido e uma região mais árida. A percepção sobre as mudanças no clima faz parte do cotidiano da comunidade. Sival conta que, anteriormente, os conhecimentos transmitidos por seus avós e pais permitiam identificar com maior segurança os períodos de chuva e as épocas de plantio e colheita. Hoje, segundo ele, essa previsibilidade diminuiu e passou a afetar inclusive a segurança alimentar das famílias. “Com base nessas mudanças, nesse problema com o clima, a gente não consegue ter mais essa ideia de quando plantar e quando colher e não ter a certeza de que vai ter o alimento em casa”. Segundo Sival, a mudança também alterou a relação com a produção. Antes, a família conseguia plantar também pensando na comercialização. Atualmente, existe insegurança até mesmo em relação à produção destinada à própria alimentação. Sival da Silva Fiuza representa a Rede de Juventudes da Plataforma Semiárido da América Latina na COP17, na Mongólia. Maristela Crispim/ Arquivo pessoal “Antes a gente plantava até para o comércio. Hoje a gente fica com essa insegurança de plantar até para nossa alimentação.”Na comunidade, ele também atua na defesa da preservação das plantas nativas e na redução do desmatamento. Segundo Sival, a percepção é de que o processo de desertificação já começa a se aproximar do território onde vive. “Desde algum tempo eu já venho batendo nessa pauta de preservar as plantas nativas que tem naquela região e de dar um pause no desmatamento, porque a gente já percebe que a desertificação já vem se aproximando dentro do nosso território.” Outro desafio apontado pelo jovem é o envelhecimento das comunidades rurais. Segundo ele, o acesso limitado a informações e à construção de políticas públicas dificulta a mobilização dos jovens. Ao mesmo tempo, muitos acabam deixando seus territórios em busca de oportunidades nas cidades. É diante desse cenário que Sival defende uma narrativa de permanência, mostrando o território também como espaço de conhecimento e possibilidades. Para ele, a permanência precisa ser construída a partir das próprias experiências das comunidades. “A gente vem com uma narrativa diferente, de que aquele território onde a gente nasceu, onde a gente criou, é um lugar de abundância, de conhecimento.” A articulação entre jovens de diferentes partes de Pernambuco acontece por meio da Comissão de Jovens e Multiplicadores de Agroecologia, assessorada pelo Centro Sabiá. Segundo Sival, a iniciativa reúne experiências que vão do litoral ao Sertão, incluindo comunidades do Pajeú, Itaparica, São Francisco e Vale do Moxotó. A proposta é aproximar essas experiências e fortalecer discussões sobre identidade, permanência no território e mudanças climáticas. “Um objetivo em comum, que é fazer essa unificação da juventude através da agroecologia e promover de fato as questões sobre identidade, sobre permanência e discutir as mudanças climáticas”. A experiência levada por Sival à COP17 mostra um dos lados das discussões sobre as regiões secas: enquanto a conferência reúne governos, especialistas e organizações para discutir adaptação e transformação dos sistemas alimentares, comunidades do Semiárido já enfrentam, no cotidiano, mudanças no clima e os desafios de permanecer e produzir em seus territórios. Em Ulaanbaatar, a voz da juventude do Sertão de Pernambuco entra nesse debate para defender que quem vive nessas regiões também precisa participar da construção das respostas para a desertificação e para as mudanças climáticas. Esta é a sexta e última reportagem da série especial do g1 Petrolina sobre a COP17 e a relação entre o debate internacional sobre desertificação e a realidade do Sertão de Pernambuco. COP17: Brasil apresenta plano de recuperação de áreas degradadas e investimentos Vídeos: mais assistidos do Sertão de PE

FONTE: https://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2026/08/29/entre-adaptacao-e-agroecologia-jovem-do-semiarido-defende-permanencia-no-territorio-em-painel-na-cop17-na-mongolia.ghtml


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